6 de jan de 2006

Meu Primeiro Amor



"Ain't it a glorious day? / Right as a mornin' in May / I feel like i could fly / 'Ave you ever seen / The grass so green? / Or a blue sky? / Oh, it's a jolly holiday / With Mary / Mary makes your 'eart so light / When the day is gray / And ordinary / Mary makes the sun shine bright"


Recordar a infância parece ser sempre engraçado. Ficar olhando para o nada com as lembranças em outros tempos e com o sorriso no rosto, meio à toa. Sorrindo das inocências saudáveis, daquela ingenuidade, dos episódios engraçados e, porque não, dos amorosos. Interessante, quando somos crianças sabemos sentir e eleger os nossos gostos, nos apaixonamos e até “amamos”...

Lembro como hoje do meu primeiro amor, foi um amor à primeira vista. Tinha uns seis ou sete anos, era uma madrugada, tinha acordado, liguei a televisão, começava o “Corujão”. Como era de costume na época - apesar de não saber disso - "Corujão" da Rede Globo sempre passava os melhores filmes da nossa limitada programação televisiva. E começou um filme daqueles antigos, um musical, coisa de gente grande ou de menina. Sem sono, resolvi assistir o filme de nome Mary Poppins sem muito interesse... até começar.

Em um dos mais belos post-en-scene do cinema, Julie "Mary Poppins" Andrews chega voando com sua sombrinha desde o céu até nosso campo de visão e contemplação. Naquele momento fui atraído de imediato, não pelo filme, e sim, por aquela personagem tão bela e apaixonante que em poucos segundos cativou o meu coração. Eu era apenas uma criança, mas já sabia sentir, ou se não, aprendi.

Amar um personagem é mais gostoso que amar uma pessoa. Um personagem é seu ideal. Mary Poppins era o meu ideal de criança, que reflete até hoje, mesmo depois de tanto tempo e com bem mais experiência. Seu sorriso, sua autoridade, seu encanto e magia, sua voz e seus olhos... Durante todo o filme, apreciei esse meu ideal como gente grande, namorando aquele personagem, suas músicas, suas danças, até a cena final, quando da mesma forma que veio, minha doce Mary tem que partir. É como um coração partido de um relacionamento cotidiano, mas com a certeza de que um dia poderei tê-la novamente.

Há poucos dias tive de novo minha querida Mary, e nostalgicamente me fez lembrar desse episódio de minha infância. Voltar a ver um filme depois de tantos anos, com um olhar mais crítico, é perigoso, pode até decepcionar, desmoronar certos ideais, certas lembranças. Mas Mary Poppins é um musical infantil para todas as idades, suas canções cativam e ficam contigo por um bom tempo. É inevitável deixar de tentar cantar
"Supercalifragilisticexpialidocious" para se sentir melhor, ou a oscarizada "chim chim cher-ee", interpretada por Dick Van Dyck, um ator de um carisma invejável, digno de Fred Astaire. As cenas animadas, os efeitos, todos os personagens e uma das melhores coreografias do cine musical na sequência das chaminés, fazem reconhecer a beleza dessa grande obra musical americana, como só eles sabiam fazer.

Hoje vejo que Mary Poppins, o filme, não é só Mary Poppins, a personagem, mas conscientizo-me de como episódios como esse, me fizeram cultivar um outro e talvez eterno amor: o cinema. Sua magia chega ao ponto de fazer crescer e amadurecer, de te irritar, emocionar e, como eu, amar.

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