3 de fev de 2006

MAIS UM CASO NORTE-AMERICANO!

Com a excessão do prólogo situacional, em que nos mostra antecendentes sobre a dramática situação que atravessa Kyle Pratt (Jodie Foster), uma especialista em desenho de aviões que acaba de ficar viúva, e de alguma breve cena no aeroporto de Berlim, toda a ação de Plano de Vôo, transcorre a bordo de um luxuoso avião. Entre os três andares, seus estreitos corredores, cadeiras, bares, banheiros, entradas secretas se desarrolha uma trama menos sintética que em, por exemplo, outro filme recentede mistério em um avião, Vôo Noturno de Wes Craven. Kyle sobe a bordo com sua filha pequena, Julia, ainda traumatizada por a violenta morte do pai.


No prólogo, Kyle observa através da janela de seu quarto a uns individuos que parecem observá-la desde um outro apartamento. Só vemos suas siluetas, apenas vislumbramos seus rostos, o cor da pele, a raça, mas umas quantas sequências depois, quando já começou o conflito nas alturas, Kyle crê descobrir en uns passageiros árabes aqueles homens que a vigiavam desde a casa da frente.

Em quase todos os filmes norte-americanos recentes, principalmente os que se passam em uma grande superfície, um aeroporto, um avião, no qual apareça uma referência, velada ou não, ao temado terrorismo e aos ecos do 11 de setembro. Esta situação é em Plano de Vôo um dos momentos mais incomodos de todo o filme, por sua escasa envergadura dramática e, por suposto, por o esquemático de seu prisma ideológico: uma mulher em aparência cultivada e inteligente como Kyle, por mais dolorida animicamente que esteja pela morte do esposo, não pode acusar o primeiro árabe que encontra e considerá-lo o principal suspeito do desaparecimento de sua filha. Que depois parte dos passageiros e algum outro membro da tripulação olhem com outros olhos para os árabes sem questão, e que inclusive um deles tente pôr de novo em circulação a lei do "lynch", parece o mais normal dentro da mecânica do filme, ainda que estamos a anos luz de qualquer mínimo estudo sobre a paranóia coletiva em um espaço fechado e ameaçador. Talvez a situação de beligerante racismo nao iria muito longe, dentro de um tópico estabelecido, se não fosse porque nas últimas sequências vários personagens pedem desculpas a Kyle por tudo que se passa no filme e a mesma não é digna de fazer o mesmo com o árabe do qual suspeitou simplesmente por sua língua e cor de pele. E mais, em um novo acto de humilhação sem paradoxo, é o árabe que se abaixa para pegar a bolsa que Kyle deixou no chão, entregando-a cortesmente, quase de joelhos, sem receber em troca nem uma lógica e esperada mostra de gratidão.

Pouco instimulante resulta a intriga de Plano de Vôo, que acaba perdendo-se em estes poerís jogos ideológicos; poerís não por o que repesentam, e sim por o tratamento ao que são submetidos em produtos cinematográficos de estas características.

Quim Casas

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