24 de out de 2006

The Sound Of Music (1965)



O musical que reavivou esse gênero na década de 60, The Sound Of Music, trazia a atriz de forte presença e voz, Jullie Andrews. O tema do filme, basicamente, é a relação do ser com seu conservadorismo, ou seja, como o homem fica ríspido, austero, rígido em opiniões e decisões quando se torna conservador.

A razão direta pela qual o personagem Capitão Von Trapp se defende atacando todos à sua volta com seu comportamento duro é a morte da mãe de seus 7 filhos. A disciplina, a sua força autoritária toma conta de toda a casa, e tudo o mais vira uma decorrência de seu passado militar na marinha. Percebam que ele queria que todos seus filhos o atendessem não pelo nome, mas por um toque diferenciado no apito. Esse passado militar do Capitão, que também é um barão – filho de nobres austríacos, esse passado é próximo da primeira guerra mundial, da primeira ecatombe do século.

Somente quando a freira meio “rebelde” (como foi chamada no título dado em português: A Noviça Rebelde – título de péssimo gosto, que evidencia a falta de senso poético que aqui é dominante), mas que de rebelde nada tem, somente quando ela chega à casa as coisas começam a mudar. Ela é muito mais uma mulher bem forte, que transborda vida, e certamente aparece no filme para casar com Von Trapp. Na verdade podemos resumir o papel da personagem Maria a isso: Deus, no caso específico a Indústria Cinematográfica que monitora todo o musical, colocou-a no mundo (no filme) para casar com Von Trapp, o personagem masculino principal. Nada existe de rebelde nessa providência, diriam as mais feministas. É, inclusive, um dom muito burguês e brando – o de casar pra cuidar de toda aquela fortuna de um dos mais ricos aristocratas da Áustria. Sim, a aristocracia é também burguesa.

No entanto, vemos que aquele conservadorismo do Von Trapp se torna vulnerável à música. Realmente, a música é mágica. O som da música é o artifício que o artista possui para seduzir o espectador. Falo quando percebemos um distanciamento para com a obra de arte, dentro de uma concepção pedagógica moderna. Mas o filme não é moderno, e, me desculpem aqueles que acham musicais meio brechtianos: é muito difícil haver distanciamento quando falamos de, e em música. Cantar é seduzir, sempre. Deste a história que vem das sereias de Homero até a voz de Andrews. Falando na beleza da cantora, ela está, em sua providência já falada, muito bem arrumada e esbanja encantamento. Ela canta e encanta seu futuro marido, e nós, por conseguinte.

Com a chegada do Nazismo à Áustria Von Trapp já não é mais conservador, seu caráter muda no filme para um pai de família cantor. Ele está casado novamente com a ex-noviça, e sua família está perfeitamente unida. Ele canta também a seu país. O que acontece certamente é que com a ameaça latente da Alemanha, o capitão Von Trapp se vê numa posição próxima à militar nazista – e isto ele não aceita, sente antipatia forte e nacionalista. Dentro da ameaça, então, ele larga seu apito, e larga também sua antiga pretendente à esposa, uma baronesa da aristocracia mais próxima ao conservadorismo da social democracia.


Estamos, então, completamente familiarizados. Até mesmo cantamos com a família Von Trapp, no festival de corais organizado pelo “Tio Max”. Apesar disso, aquele inimigo conservador, como num espectro, um fantasma, cresce novamente – a mudança do jovem carteiro é algo aterrorizante, pra quem acredita no poder revolucionário da juventude. Bom ressaltar que essa potência pode ser revertida ao militarismo tacanho, racista, preconceituoso e degenerante que foi o nazismo. O apito do início do filme é o mesmo que denuncia a fuga da família - na boca de um provável pretendente a uma das filhas do barão, o garoto carteiro. A solução para o filme parece ser algo muito romântico.

Tão romântico quanto um arcadismo "orientalista". A jovem freira, agora junto à família, percorre as montanhas. É bom ressaltar que as montanhas também cantam, e seduzem qualquer um a sair de um totalitarismo das sociedades beligerantes. Lembra-se algo hippie, algo contracultural, algo de revolucionários norte-americanos que já haviam tido muito tempo pra conceber essa fuga aos campos – em busca de novas fronteiras. Uma nova civilização.

Um comentário:

Wiliam Domingos disse...

Olá tudo joia???
ultimamente estou vendo muito filmes antigos, mas o primeiro q vc falou aindã não vi..
depois passa no meu blog, q tb é de filmes...
abraços...

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