19 de jun de 2008

"Os três espaços" por Eric Rohmer

O termo espaço, em cinema, pode designar três noções diferentes:

Espaço pictural – A imagem cinematográfica, projetada sobre o retângulo da tela – por fugitiva e móvel que seja – é vista e apreciada como a representação mais ou menos fiel, mais ou menos bela, de tal ou tal parte do mundo exterior.

Espaço arquitetural – Estas partes do mundo, naturais ou fabricadas, tais como nos são representadas na projeção sobre a tela são dotadas de uma existência objetiva, podendo ser, também elas, objeto de um julgamento estético. É com essa realidade que o cineasta se defronta no momento da filmagem, seja para reconstruí-la, seja para desfigurá-la.

Espaço fílmico – Com efeito, não é do espaço filmado que o espectador tem a ilusão, mas de um espaço virtual reconstituído em seu espírito, com a ajuda dos elementos fragmentários que o filme lhe fornece.

Esses três espaços correspondem a três modos de percepção da matéria fílmica pelo espectador. Eles resultam também de três démarches, em geral distintas, do pensamento do cineasta e de três etapas de seu trabalho, em que ele utiliza cada vez técnicas diferentes. A da fotografia no primeiro caso; a da decoração no segundo; a da direção e da montagem no terceiro. Em cada uma delas, ele conta com a ajuda de colaboradores especializados, cabendo-lhes entrosar as sensibilidades, a fim de que sua obra forme um todo coerente.

Eric Rohmer. A organização do espaço no Fausto de Murnau.

4 comentários:

Alessandro de Paula disse...

Texto bacana!

Seria mais legal ainda encontrar entrevistas em que gente como Rohmer e tantos outros falem sobre o fazer cinema.

Abraços a todos!

Roberto Vagner disse...

Temos tempo.

Di Carlo disse...

Sintético paca. Bem objetivo.

Anônimo disse...

Legal...

Este assunto caiu na minha prova...
:(

 
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