16 de out de 2008

"ZHIVOY TRUP" por Herr Graf Ferdinand Von Galitzien

Zhivoy Trup é uma co-produção bolchevique-teutona (esta sim que é uma grande excentricidade germânica) baseada na obra do escritor russo Leon Tolstoy, e cujo título em alemão é “Der Lebende Leichnam” ou o que é o mesmo em seu rústico idioma, “O Cadáver Vivente”.

Dirigida por Fedor Ozep no ano 1929 (em realidade, este diretor demonstrou durante a realização deste filme muito sentido comum, pois ao finalizar a rodagem decidiu não voltar à U.R.S.S. com o resto da equipe, ficando em Germania para continuar sua carreira artística ), o filme nos narra a história de Fyodor Protasov, interpretado pelo excelente diretor soviético Vsevolod Pudovkin, que ao inteirar-se de que sua mulher mantém um idilio com outro homem, decide conceder-lhe o divórcio e assim pôr fim a uma relação insustentável além de tentar-lhe com sua decisão, a felicidade que sua mulher procura em outro homem.

A ingenuidade de Fyodor topará com os preceitos inamovivéis que dita a igreja ortodoxa que se nega a conceder-lhe o divórcio a não ser que reúna alguma das três exceções nas quais sim está permitido, sendo uma delas a do falecimento de um dos cônjuges.

A situação familiar na casa de Fyodor cada vez é pior; tristeza, gritos e choros contínuos por parte de ambos, um ambiente familiar cada vez mais rarefeito e insustentável, conseguindo este que Fyodor soubesse cada dia que passa a idéia de pôr fim a sua vida outorgando-lhe dessa forma a sua mulher a vida feliz que crê se merece; ao ser incapaz de fazê-lo, simula seu próprio suicídio convertendo-se dessa forma num cadáver vivente.

A destacar a reflexão que se questiona e se transmite ao espectador durante toda a película sobre se, ainda que sejam legais, são justos certos preceitos estabelecidos pelos poderes fáticos, o porquê, neste caso, tanto a igreja e as leis se unem na contramão da felicidade das pessoas, quando, como sucede no filme, um dos implicados decide de forma lúcida e amigável pôr fim a uma situação familiar da melhor forma possível sendo consciente de do que o amor saltou definitivamente pela janela.

Magnificamente rodada, Zhivoy Trup é um perfeito exemplo do cinema soviético dessa gloriosa época: uma linguagem cinematográfica impecável, um desenho de produção muito cuidado, montagem vertiginosa e uma galeria de personagens secundários com rostos exemplares.


Texto escrito por Herr Graf Ferdinand Von Galitzien

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