12 de jun de 2008

"LIMITE" por Glauber Rocha

Finalmente vi Limite, lendário filme de Mário Peixoto realizado em 1929/30 – e sinto que Paulo Emilio Sallles Gomes não esteja vivo para comandar os debates que se travam entre Kyneaztaz e Krytykos sobre especificidade criativa da Sétima Syntezy das Artyz.

No meu livro Revisão Crítica do Cinema Brasileiro (1963) julguei Limite produto de intelectual burguês decadente: hoje penso a mesma coisa compreendendo a dialetyka revolucionário gerada pelo sistema reaccionário:

- A decadencia é bela! – fala o ator Carmello Bene no meu filme Claro (Roma, 1974) – tese confirmada pelo Kyneasta Rainer Werner Fassbinder no Festival de Cannes 78: - Nosso Zystem se desintegra em cores, sons, com grande beleza et… parfois… dignididade…

Machado de Assiz é decadente: Dom Casmurrro, Bentinho e Rubião sofrem e se acabam desesperando. Éxtasis? Estética? Não existem relações sexuais estéreis. Germynalya: Beleza, Prazer, Glorya, Transzendenzya são estágios superiores aos ciclos racionalistas das Artes Hestoricyztas: o psicologismo satírico de Machado suprime a dramatyka luta de classes em nomes dos minuetos ritualísticos do Segundo Ymperyu e por isso interrompi a leitura de Quincas Borba e abri as delirantes páginas de Palmeiras Selvagens, romance de William Faulkner que coloca o Heroy entre a Dor e o Nada. Dor, para Faulkner, é o Ser frustrado de Payxão: sem Amor, Dor. Entre o Nada suicidário e a Doramor (quase Doramundo, obra-prima das letras americanaz). Faulkner prefere a Vidorida (sobrevivência na luta!).

Godard em Acossado (anos 60…) escolhe o nada e Jean-Paul Sartre, quando escreveu o Ser e o Neant, chupou esta Dyaletyka de Faulkner, porque o criador do Ezyztencyal Polytko foi o primeiro civilizadeuropeu a descobrir, (aussi Albert Camus) e interpretar fylozofykament o Pezadelo do Mississipy.

Georg Luckaz, teórico do estalinismo literário ( e sua vítima sempre recuperável…), nunca falou do sentido revolucionário da obra faulkneriana, ficando o Grande Tema à disposição dos formalistasedecadentistas.

Extranho à literatura brazyleyra, Faulkner foi absorvido pelos mexicanos e Gabriel Garcia Marquez. Julio Cortazar, Jorge Luis Borges.

Fluzynal: um texto sobre Limite deságua em Faulkner. Onde estão as fronteiras da razão? Pzykanalyse não é Dragão! A mayoría das pessoas que conheço reluta à possibilidade de vir a ser “ANALYZADA” (Paulo Emilio foi analizado por Lacan durante o estalinismo) – como se a desneurotização significasse castração. É aquela patética frase de Mario Vargas Llosa num destes Congresos Literários transversalmente organizados pela CIA em Universidades yankz:

- Mira, Rocha, tu, yo, nosotros!!! We must to be neurotyckz… - Mario explicava que somente a Dor da Neuroze era Seiva, Muza! Eu lhe respondia que era desneurotizado. Buenos!!! depois de Deus e o Diabo na Terra do Sol! Vomitar quilômetros de filmes: Paranoia, Pzykoze, Dramalya, Furor, Extaze…

Limite é um filmazcendente dum intelectual decadente: Metafyzyk, monta o Realismo à Abaztraxão ou – como disse Mário Pedrosa na saída da Sala FUNARTE, para cuja inauguração se projetou o filme – (O rio continua deliciosa provincia): - É obra na qual a Forma supera o Conceyto!

Kynema itz Sonimage/MONTAGE: Mário Peixoto aos 19-20 anos realiza tudo aquilo que os kyneaztas desejam: Fluz-Imag-AZÁ-criar Emoção (comunication…) a través montage de celulas vizuayz ( O filme é do tempo mudo e se faz mal acompanhar por arranjos de Saty, Debôzy, Extravynk e Betove).

EMOÇÃO DE QUE AÇÃO?

- num Barko três personagens: Mário filmonta fragmentos destas vidas e os “FIC(KRY)CIONA”: a decadência dos personagens é ressucitada, ezplendor formal!

Limite próximo a Faulkner: TEMPO FORA DO TEMPO: EZPAZEZTETY-KONZTYTUCYONAL – Arte, Pratykaproibida.

Mario Peixoto, como nosso genial Lima Barreto, não conseguiu fazer outro filme, o Brazyl é impiedoso com seus filhos Santos, vivemos condenados pela teologia luzytana.

Kynema Brazyleyro está dando dinheiro?

Os filmes são piores que os filmes dos anos 60. Por isso Limite é revolucionário de Montage para tantos Kyneaztas incompetentes. Por que nossos filmes são literários e Tetarais. Pornográficos, não pelo sexo, mas pelo MAU GOZT: os Kyneaztas são ideológicamente pré-Romanezcux, daí a permanente burrice do Realysm (e das Krytykas censórias).

Claro que a industrialização do kynema nacyonal vai destruir nossas perspectivas creativas. A Embrafilme, continuando no embalo Porno-Hiztoricyzta, prostituirá nossos melhores kyneaztas. E as multinacionais contratarão alguns boys para fotografar ah, direi ouvir Estrelas da Broadw(ay). Regride-se aos tempos da ATLANTICA! Decadência.

A exibição de Limite desmistifica a Eztetyca à Embrafilme assim como descoberta de Ganga Bruta (Humberto Mauro derrubou nos anos 60 a chanchada e o Kynema “serieux” da Vera Cruz).

A Embrafilme limita a criatividade e a publicidade receita à cascata: nosso kynema continua pobre, censurado e, pior síntoma, perdendo a coragem, a image/na/azão!

Glauber Rocha; 3/6/1978


Texto extraído do livro Folha Conta 100 anos de Cinema; p.29.

2 comentários:

Alessandro disse...

Louco este texto em Glawbynezz. Só que ando tão cansado nestes dias, que não sei se entendi bem.

Voltarei e tentarei usar a image/na/azão!

Valeu, Roberto! Abraço!

Di disse...

Idiossincrasia. Trechos obscuros. Grafia pessoal. Tudo colabora para dificultar o entendimento do texto.

Li duas vezes: na primeira peguei o ritmo e naturalizei a grafia; na segunda quase entendi.

E concluí: Glauber tá falando de seu cinema ao falar de "Limite".

 
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