18 de jul de 2008

Em Cartaz: "FIM DOS TEMPOS"

O grande filme de M. Night Shyamalan continua sendo Unbreakable (me recuso, ainda, a chamar o filme de Corpo Fechado, 2000). Conheci o diretor de origem indiana em O Sexto Sentido (The Sixth Sense, 1999), como a maioria das pessoas. Sempre achei que O Sexto Sentido é uma versão para o povão de Uma Simples Formalidade (Una Pura Formalità, 1994). Com Unbreakable, ele chegou ao ápice, fez seu melhor filme até agora; a melhor homenagem aos quadrinhos de super-herói que poderia ser feita. Só então tive interesse em ver os primeiros filmes dele. Assisti a Olhos Abertos (Wide Awake, 1998), que é um filme bastante fraco, mas nunca vi Praying with Anger (1992), seu primeiro filme. Depois de Unbreakable, veio Sinais (Signs, 2002), que é um filme interessante, embora seja, claramente, uma cópia de Guerra dos Mundos (o romance, não as adaptações para o cinema). Com A Vila (The Village, 2004), Shyamalan provou que estava agora num caminho de repetição do qual dificilmente se afastará. A Vila tem seus momentos bons, mas repete a mesma fórmula de seus filmes anteriores (exceto Unbreakable, que, por mais que se diga que possua o mesmo "twist", a mesma "reviravolta" - peripetéia - no final, não é esse o objetivo do filme). Seu filme seguinte, A Dama da Água (Lady in the Water, 2006), então, é o fundo do poço.

Agora veio o filme mais "pesado" (teve censura alta nos EUA) dele: Fim dos Tempos (The Happening, 2008). Embora não tenha a sua famosa "reviravolta" final (também, em um filme tão óbvio como esse, se ele conseguisse fazer isso seria um gênio), o filme segue o mesmo modelo dos anteriores, principalmente o de Sinais. Algo está acontecendo, não se sabe exatamente o que é, e as personagens precisam fugir e se esconder não se sabe exatamente do quê. As cenas iniciais, feitas simplesmente para chocar, são bem feitas, bem executadas e bem dirigidas. Dentro da narrativa, seu propósito é somente contextualizar os acontecimentos. Para quem viu o filme, no entanto, proponho um exercício: imagine que as cenas de suicídio no início não existem, o filme começa com a personagem de Mark Wahlberg dando aula e recebendo a notícia de que algo está acontecendo; acredito que não só aumentaria o suspense, a dúvida, como a contextualização necessária estaria feita. O cineasta, no entanto, escolheu o óbvio.

O filme continua tentando manter o clima de suspense, jogando teorias para o público, teorias que sabemos serem falsas, pois esperamos a grande solução shyamalaniana, a surpresa final. No meio do filme, uma personagem maluca, um matuto que cultiva mil plantas, diz que são elas, as plantas, as responsáveis pelo que está ocorrendo. A teoria é jogada assim para o espectador, como se fosse coisa de louco.

Mas, no entanto, pelo menos dessa solução o espectador já se vê livre, não precisamos mais procurar uma explicação. O suspense fica, então, a cargo de sabermos se as personagens principais, Elliot (Mark Wahlberg), Alma (Zooey Deschanel) e Jess, sobreviverão ou não ao acontecimento.


A cena final da narrativa, o momento esperado, emocionante, aquele em que a música orquestrada vai aumentando para que o espectador ache que está prestes a chorar, surrado por essa lavagem cerebral do cinema repetido ad infinitum, essa cena não é nem um pouco emocionante, nem para o grande público, acredito, quanto mais para um público especializado, conhecedor e apreciador da sétima ARTE.

O final do filme é a cereja no topo do monte de lixo, cereja apodrecida. Alguém tinha dúvida de que acabaria daquela forma? Se tudo foi feito de propósito, Shyamalan é um gênio: quando todos esperavam mais um filme com final surpreendente, ele fez o mais óbvio possível.

Fico com pena do cinema quando vejo um diretor competente, que uma vez fez um grande filme, procurar se superar e não conseguir sequer fazer um filme médio.

5 comentários:

Di Carlo disse...

É isso mesmo! He he he!

Também tive o desprazer de ver o filme. Não sei porque fui ao cinema. Sei, perder dinheiro. O humor. E, a única coisa que levarei pela minha vida, perder o resto de boa vontade com Shyamalan.

Só me pergunto como esse resto me fez sair de casa e encarar "Fim dos tempos". Se arrependimento matasse...

Jhésus Tribuzi disse...

Nossa, eu gostei! heheh...

João disse...

Concordo em gênero, número e grau.
O filme poderia ter um suspense mais "europeu", uma coisa muito mais imaginada que escancarada.
Acho que ele anda perdendo o tom...
Mas espero ainda ver novamente um filme bom do Shyamalan.

Alessandro de Paula disse...

Tenho medo desse filme...

Cecilia Barroso disse...

Acho que, no final das contas, o diretor é superestimado. Acertou algumas coisas, mas errou no resto... E sim, esse filme é um lixo completo!

 
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