24 de set de 2008

100 anos sem Machado: "BRÁS CUBAS"





Bressane e Machado de Assis acabaram conversando sobre a morte



Bressane e Machado de Assis – ironias na tangente, à parte, o barroco continua na linha brasileira de inconfirmar a falta de comunicabilidade da maior parte da elite casmurra do país. Aliás: será que Júlio Bressane fala tão certo assim nessa comédia da vida privada do século XIX inventada por Machado? A impressão é de que não. De que o diretor antes marginal, agora invertido na mitologia dos novos anos da inserção no mercado cinematográfico (inclusive com financiamento da Embrafilme, como reconhecimento da importância que tem um modo experimental de se inventar linguagens). A inovação de mitos da luta de Brás Cubas, uma sátira menipéia quase pós-moderna, porém, absolutamente crítica, ainda no sentido universal e filosófico.


A sátira de um morto que percorre um Rio de Janeiro atlântico – a velha civilização procurada pela antropofagia modernista e, porque não, glauberiana. Bressane mata o morto, o defunto Cubas, pondo a comédia inerente ao elenco de Asdrúbal, na simples comédia quase global – a velha ironia suplantada pelo audiovisual que perde em significado profundo, mas vence em interpretações estereotipadas.

E é assim que Bressane também remexe o defunto autor, sendo autor distanciado desse universo de elite. Machado de Assis certamente está também distante desse modernismo antropofágico. Mas a sua influência irônica é clara, sua continuação cosmopolita arcaica (algo extremamente brasileiro), é algo que poucos entendem. Mas fica no inconsciente político de uma cinefilia que vê a autoria de Bressane em uma ilha isolada – ainda hoje, depois de uma assimilação de linguagens publicitárias extremamente metalinguísticas.

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