21 de out de 2008

Em Cartaz: "CASA DA MÃE JOANA"

O detalhe mais interessante do novo filme de Hugo Carvana não está no roteiro, nas atuações, nas gags físicas ou nos diálogos. Também não está na fotografia, na arte, no som e muito menos na direção. Reside, veja só, na estranha e gradual semelhança de PR (Paulo Betti) com o grande Zé Bonitinho, personagem criado por Jorge Loredo. Isso quer dizer que o trabalho vai se valer de tal semelhança para uma cena engraçada? Não. Quer dizer que ecos sganzerlianos vão ressoar em algum momento mais anárquico? Não. Quer dizer simplesmente que, se não fosse por esse detalhe, já teria esquecido o filme completamente.

Ao se valer das desventuras de três amigos companheiros de esbórnia, para além da crise de meia idade, as possibilidades de humor tendem a ser infinitas, dependendo apenas de como o material é trabalhado. O detalhe é que Carvana preferiu seguir uma linha de humor mais rasa que até funciona, dentro de suas simplórias pretensões e limites, quando não resolve partir para o uso de palavrões inofensivos e momentos de vergonha alheia.

O fato é que é notável o quanto todos os envolvidos se divertiram fazendo o projeto. As atuações são leves, extremamente despreocupadas e o rigor é praticamente inexistente quanto a tais minúcias. É mais ou menos o que acontece com Onze homens e um segredo e suas continuações, só que sem Soderbergh e seus parceiros por trás da obra (e é engraçado notar como a Casa da mãe Joana começa com o grupo de protagonistas anti-heróis executando um roubo). Tal leveza é captada pelo espectador, que assiste ao filme despreocupado, contagiado pelo tom geral e é uma pena que não haja um melhor desenvolvimento de personagens e suas situações, coisa que não incomoda a princípio, mas que vai deixando seus rastros durante o desenrolar da trama.

É, portanto, um filme que simplesmente é projetado, sem maiores problemas de assimilação, mas que não vai além disso. As subtramas dentro da trama principal – que tem uma carga interessante de subversão, ainda que tão inofensiva que passa quase batido – acabam ficando perdidas e, ao contrário de lapidar as personagens, os tornam redundantes, fazendo com que a graça fique diluída dentro dos momentos cômicos. Dessa forma, ótimos diálogos ficam envoltos em momentos de encenação que não rendem tanto como deveriam, justamente por serem uma repetição do que vimos quinze minutos antes. É sempre a cliente estranha do “coroa de programa” do Betti, a afetação do Wilker com sua filha, a mãe doida, o amigo trambiqueiro...

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